Gaga: Five Foot Two mostra uma Lady que você nunca viu
Você se lembra da primeira vez que ouviu a voz de Lady Gaga? Pra mim, foi em meados de 2008, como um lançamento da programação da Rádio Mix FM (essa estação ainda existe?). Pela música, acreditava que seria só um single daquele tipo de cantor relâmpago que surge com uma música e depois some para sempre (um beijo pra você, Carly Rae Jepsen!). Felizmente, me enganei. Hoje, quase 10 anos depois, são raras as pessoas que não tenham o mínimo conhecimento de quem seja Lady Gaga (índios de uma tribo distante da Amazônia, talvez?).
Stefani Joanne Angelina Germanotta é um sinônimo de sucesso. Vencedora de 6 Grammy, 1 Emmy, 1 Globo de Ouro, 13 VMAs e ainda com uma indicação ao Oscar, ela é – há muito tempo – uma pessoa imortalizada no ramo da música. Então... como uma pessoa tão consolidada pode surpreender ainda mais? Este é o segredo de Gaga: Five FootTwo, o documentário original da Netflix, lançado no último dia 22. Em 100 minutos, temos uma Lady Gaga ainda mais pessoal que nunca! Em uma produção ousada, as filmagens captadas no período a partir o início das composições e gravações do seu último álbum, Joanne até o momento que, segundo o que ela mesma disse no filme, foi o seu auge: o seu Halftime Show no Super Bowl LI.
A ousadia vai desde declarações sobre a rivalidade existente com outras divas pop (como Madonna), até o fato de não se inibir às câmeras e fazer topless durante uma reunião sobre o visual de seu álbum. Em certo momento, dá a entender que Gaga tem quase que uma necessidade de deixar bem claro que não entende o porquê da cisma que Madonna tem e até expõe sua vontade de falar tudo na cara.
Nesse momento, a primeira coisa que veio na minha mente é: “então, aquela foto era mera fachada, né?”
(Lady Gaga e Madonna abraçadas, juntas com Katy Perry, no Met Gala 2015. Era tudo fachada?) Outro momento importante do filme é a honestidade de Gaga em expor suas dores. Em pelo menos dois momentos do documentário, vemos uma mulher chorando de dor, à base de muitos analgésicos e massagem. Bem a tempo de justificar – e deixar bastante evidente para aqueles “fãs” mais insensatos – do porquê Lady Gaga não pode se apresentar no primeiro dia do Rock in Rio.
A dor é realmente visceral. Mas, determinada como só ela consegue ser, a cantora consegue aproveitar qualquer hora em que a dor dá uma leve trégua e dá o seu melhor em momentos importantes de sua vida, como na gravação do clipe de Perfect Illusion.
Na parte final do documentário, quando se fala sobre a apresentação do SuperBowl, vemos toda a preparação da nossa baixinha preferida (5 pés e 2 polegadas, que é a sua altura, são o mesmo que 1,57m) e sua exigência máxima, para que tudo saia, no mínimo, perfeito.
Ela chega a ser chata. Mas com razão. Afinal, estamos falando de uma apresentação que foi vista por mais de 111 milhões de pessoas – isso falando só de EUA. Na minha opinião, o filme mostra um fragmento muito curto da vida dessa superestrela. Quando você acha que o documentário ainda tem muito a oferecer, ele já sobe os créditos. A vontade que dá é que Gaga e os executivos da Netflix gostem da ideia e produzam continuações desse filme que exibe, de forma tão natural e humana, o quanto ela se importa não só com sua própria imagem, mas também com o seu trabalho e, principalmente, com seus fãs.
Esse documentário também serve para mostrar que até as mais emblemáticas divas pop não passam de seres humanos, que têm sentimentos, dores, medos, inseguranças, angústias, problemas internos e interpessoais.
Complicações que podem ser vividas por qualquer um de nós. Ser artista não é só viver de mordomias. Pawsup! É hora de conhecer um novo lado de Lady Gaga que você nunca viu!
Texto por: Bruno Martini (Novo redator do Blog)


