Watchmen
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| Primeira capa da HQ no Brasil |
Watchmen, escrito por Alan Moore e ilustrado por Dave Gibbons, é uma série em quadrinhos da DC Comics que revolucionou os quadrinhos por lidar com uma temática mais madura e realista, impondo o conceito de que super-heróis não precisam de super-poderes e super-vilões. Consagrando o estilo Graphics Novel, foi o primeiro a despertar o interesse do público adulto por quadrinhos, que antes era visto como algo infanto-juvenil.
Trama
A trama de Watchmen é situada em uma América alternativa de 1985 na guerra fria, com os EUA e União Soviética quase entrando em uma guerra nuclear. A mesma trama envolve os episódios vividos por um grupo de super-heróis, do passado e do presente, e os eventos que circulam o misterioso assassinato de um deles. Watchmen retrata problemas éticos e psicológicos. Uma adaptação para o cinema foi lançada 6 de março de 2009.
Na realidade de Watchmen, Richard Nixon teria conduzido os EUA a ganhar a Guerra do Vietnã e por conta disso, teria permanecido no poder por muito tempo. Este fato e muitas outras diferenças entre o mundo verdadeiro e o mundo retratado nos quadrinhos, como por exemplo, os carros elétricos serem a realidade da indústria dos automóveis e o petróleo não ser mais a fonte de energia, derivaria na existência daquele cenário um personagem conhecido como Dr.Manhattan (O personagem mais complexo de Watchmen), que é um ser dotado de poderes especiais, os quais o levam a possuir um vasto controle sobre a matéria e a energia, elevando-o a um estado de homem-deus.
Neste mundo também existiram quadrinhos de super-heróis no final de 1930, inclusive do Superman, os quais seriam a principal fonte de inspiração para que um dos personagens da série viesse a se tornar um combatente do crime (O primeiro Nite Owl). Então as revistas deste gênero teriam deixado de existir e foram substituÃdas por quadrinhos de piratas (devido ao fato de agora existirem heróis de verdade). Dr.Manhattan, o único a possuir poderes de verdade (como explodir ou desmontar objetos e até mesmo pessoas - pois controla os átomos), foi o primeiro da nova era de super-heróis mais sofisticados que durou nos anos 60, até a promulgação da lei Keene em 1977, implantada em resposta a greve da polÃcia e a revolta da população contra os vigilantes que agiam acima da lei.
O grupo conhecido como Crimebusters, se dispunha a combater o crime na cidade de Nova York. A Lei Keene exigia que todos os "aventureiros fantasiados" se registrassem no governo. A maioria dos vigilantes resolveu se aposentar, alguns revelando sua identidade secretas para faturar com a atenção da mÃdia, outros, como o Comediante e o Dr.Manhattan, continuaram a trabalhar sobe a supervisão e o controle do governo. O Vigilante conhecido como Rorschach, entretanto, passou a operar como um herói renegado e fora-da-lei, sendo sempre perseguido pela polÃcia.
A Riqueza de um universo
Watchmen conta uma intensa história de conspiração e mistério que se mantém até a última edição. Mas não é só no Thriller que está a riqueza das Graphics Novel.
Alan Moore e Dave Gibbons criaram um universo inteiro, cheio de detalhes, signos e tantos nÃveis de compreensão, que é comum ainda ser surpreendido na 3ª ou 4ª releitura.
Apesar do relógio do apocalipse se aproximando da meia-noite ser um forte sÃmbolo, a série acabou sendo representada pela imagem do Smiley face, a carinha feliz manchada de sangue, que é um Ãcone perfeito para o motivo da série: a desconstrução do inocente universo dos super-heróis em uma fria e cruel realidade.
O Smiley pode ser visto por toda a série como um tema recorrente, desde em faÃscas de cabeça para baixo nos hidrantes elétricos, até na cratera de Galle em Marte (que realmente existe).
O espirro de sangue também se repete, às vezes como água, tinta ou mancha. Sempre presente em elementos significativos da trama, como um aviso, como uma exclamação.
Apesar do relógio do apocalipse se aproximando da meia-noite ser um forte sÃmbolo, a série acabou sendo representada pela imagem do Smiley face, a carinha feliz manchada de sangue, que é um Ãcone perfeito para o motivo da série: a desconstrução do inocente universo dos super-heróis em uma fria e cruel realidade.
O Smiley pode ser visto por toda a série como um tema recorrente, desde em faÃscas de cabeça para baixo nos hidrantes elétricos, até na cratera de Galle em Marte (que realmente existe).
O espirro de sangue também se repete, às vezes como água, tinta ou mancha. Sempre presente em elementos significativos da trama, como um aviso, como uma exclamação.
Moore e Gibbons também mergulharam em uma viagem metalinguÃstica inesquecÃvel em Contos do Cargueiro Negro.
Através de um jornaleiro de uma banca de jornal de esquina, o leitor é apresentado ao cotidiano das pessoas comuns, indo e vindo, discutindo manchetes de jornais, seus medos e angústias. Em meio a tudo isso, um rapaz lê uma revista em quadrinhos
Através de um jornaleiro de uma banca de jornal de esquina, o leitor é apresentado ao cotidiano das pessoas comuns, indo e vindo, discutindo manchetes de jornais, seus medos e angústias. Em meio a tudo isso, um rapaz lê uma revista em quadrinhos
A história dentro da história funciona como um artifÃcio de sincronia entre fantasia e realidade, descrevendo paralelos entre o marinheiro perdido e as motivações e psiques dos vigilantes de Watchmen, o que também é uma brincadeira com o próprio universo.
Ideia de Dave Gibbons, em um mundo em que heróis mascarados existem de verdade, a fantasia dos quadrinhos fugiria deste tema já saturado pela imprensa e medos populares, desviando-se para outros mitos, como por exemplo, histórias de piratas.
Watchmen sempre foi considerado por muitos como uma obra não filmável. O próprio Alan Moore defende isso até hoje. Aliás, essa foi, em espÃrito, sua intenção declarada ao escrever uma história repleta de pequenos e minuciosos detalhes, easter eggs e múltiplos nÃveis de narração e compreensão.
Ideia de Dave Gibbons, em um mundo em que heróis mascarados existem de verdade, a fantasia dos quadrinhos fugiria deste tema já saturado pela imprensa e medos populares, desviando-se para outros mitos, como por exemplo, histórias de piratas.
Watchmen sempre foi considerado por muitos como uma obra não filmável. O próprio Alan Moore defende isso até hoje. Aliás, essa foi, em espÃrito, sua intenção declarada ao escrever uma história repleta de pequenos e minuciosos detalhes, easter eggs e múltiplos nÃveis de narração e compreensão.
O fenômeno justifica-se não só pelos seus méritos técnicos, mas como por influência que pode ser vista até hoje nas HQs Os Supremos, Alias (a detetive ex-Vingadora), Poder Supremo e outros selos adultos da Marvel, e também fora delas, como por exemplo em Lost (influência declarada pelos produtores), Heroes, Os IncrÃveis e na narrativa realista dos novos filmes de Batman, do Christopher Nolan.
Este é o valor de Watchmen. Embora possa parecer estranho para quem não se interessa por super-heróis, certamente essa série em quadrinhos transcende os cÃrculos de seu meio, como demonstração do pináculo do talento artÃstico na criação de uma verdadeira obra-prima literária. Mesmo que esteja disfarçada com roupas coloridas e cuecas por cima das calças.
Este é o valor de Watchmen. Embora possa parecer estranho para quem não se interessa por super-heróis, certamente essa série em quadrinhos transcende os cÃrculos de seu meio, como demonstração do pináculo do talento artÃstico na criação de uma verdadeira obra-prima literária. Mesmo que esteja disfarçada com roupas coloridas e cuecas por cima das calças.








